terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Vende-se Morango e Fruta


Vende-se Morango e Fruta

É possivel que já tenha acontecido a muitos, assim como a mim!
Quem já não comprou aquelas caixas com morangos vermelhos belíssimos vendidos por vendedores ambulantes, nas margens do asfalto das estradas do interior ou até mesmo em feiras e supermercados?
Aquela cor vermelha viva, cravada de pequenas sementinhas verdes são um verdadeiro abismo á tentação e consequentemente ao consumo.
Chegamos a casa, largamos tudo, e vamos directos para a cozinha, experimentar algumas daquelas delicias.
Começamos por tirar um, dois, três morangos da caixa e quando pegamos o quarto morango, começamos a perceber que o vermelho vivo fresco e saboroso para qualquer olhar, está apenas na superfície.
Imediatamente abaixo da primeira camada de morangos apetitosos encontra-se a camada que dá lucro ao esperto vendedor: morangos amassados, em parte apodrecidos e com aparência detestável, muitas vezes impróprios para consumo.
E nestes casos, acontece o seguinte: se foi a nossa primeira vez, ficamos chateados.
Se foi a segunda, ou a terceira, baixamos a cabeça e, com um suspiro significando “eu já sabia”, continuamos a lavar os morangos que conseguimos salvar daquela caixa e degustamos pedaços de felicidade num mar de desilusão.
Talvez este seja o motivo, e não outro, nomeadamente a ignorância humana elevada ao seu expoente máximo, que explique a razão, para o fenómeno do letreiro que vi recentemente, algures numa estrada do interior, onde constavam gravadas em letras parangonas cor de morango: “Vende-se morango e fruta”.
Obviamente que esta informação para além de ter um propósito comercial, cumpre também o dever civico de esclarecer qualquer pessoa que ainda tenha duvidas sobre o que são na realidade morangos, até porque morangos é uma coisa e fruta é outra!
A fruta a sério, é vendida a granel, livre de caixas e caixotes, acessivel aos olhos “espanhóis” e obviamente que é mais denunciadora dos seus defeitos, como habitualmente acontece com qualquer fruta em geral, claro!
Já o mesmo não acontece com os pobres morangos, amontoados em caixas, como sardinhas em lata, despromovidos da classe das frutas, mas portadores de um sentimento comum: serem (um delicioso) FRUTO, de uma enorme desilusão; humana obviamente, porque a inteligência é uma qualidade que não é herdada de igual modo por todos, assim como os morangos, nem todos são fruta, nem todos são bons!

Luís Rosário in Crónicas Insólitas

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Será a mediocridade uma vantagem biológica ou a burrice uma ciência?

Depois de ouvir e ler muitos disparates, desde que tenho a lucidez para perceber o que é certo e o que é errado, fruto obviamente da maturação do lobo frontal, que tenho uma curiosidade imensa de investigar e partir em busca de provas que respondam cabalmente á pergunta que António Aleixo, ilustre poeta português, nos fez, mas que até á actualidade ainda ninguém respondeu!

“Quando ele, ainda jovem, acabou de pronunciar o seu discurso de estreia, foi perguntar a um velho amigo de seu pai o que tinha achado do seu primeiro desempenho perante aquela plateia de vedetas cheias de Poder.
O sábio colocou a sua mão no ombro dele e disse-lhe, em tom paternal:
- Meu jovem, cometeste um grande erro!
É imperdoável tal empenho, pois devias ter começado um pouco mais na sombra!
Devias ter gaguejado um pouco.
Com a inteligência que demonstraste hoje, deves ter conquistado, no mínimo, uns trinta inimigos, porque o talento e a inteligência assusta!” Luís Rosário.

A maioria das pessoas encasteladas em posições de Poder, é medíocre e portadora de uma dose significativa de burrice, e tem por esse motivo, um indisfarçável medo do talento e da inteligência alheia!
Temos que admitir que, de um modo geral, os medíocres, ou melhor, os não portadores de capacidades intelectuais, são mais obstinados na conquista pelo Poder, porque sabem ocupar os espaços deixados pelos talentosos displicentes que não revelam o apetite pelo mesmo.
Mas é preciso considerar que esses medíocres ladinos, oportunistas e ambiciosos, têm o hábito de proteger o seu frágil Poder, com verdadeiras muralhas de granito por onde os talentosos não conseguem penetrar.
Em todas as áreas encontramos essas fortalezas do arrivismo, inexpugnáveis às legiões dos lúcidos.
Eles, os medíocres, conhecem bem as suas limitações, e sabem como lhes custa desempenhar tarefas que os mais dotados realizariam com uma “perna às costas”, porque na medida em que admiram a facilidade com que os mais lúcidos resolvem problemas, os medíocres os repudiam para se defenderem!
É um paradoxo angustiante, mas infelizmente parece às vezes, que temos que viver segundo regras que contrariam a teoria do evolucionismo proposta por Charles Darwin, em que a inteligência humana se transforma numa espécie de desvantagem biológica perante esta vida minada de medíocres!
Que Deus os proteja, aos inteligentes, dos medíocres, Ámen!

“Há tantos burros mandando em homens de inteligência, que, às vezes, fico pensando que a burrice é uma ciência.” António Aleixo

Luís Rosário in Crónicas insólitas